Os tapetes persas são famosos e reconhecidos em todo o mundo como objetos luxuosos de decoração. No entanto, poucos sabem que estes tapetes são parte fundamental da manifestação artística e cultural do povo persa, e que todo luxo associado a eles atualmente, contrasta com a sua modesta origem entre as tribos nômades da Pérsia.

Na época, os tapetes eram bens essenciais, tendo como finalidade a proteção contra o frio rigoroso que fazia na região. Eram então fabricados com lã de carneiros, cabras e camelos, animais que faziam parte da vida das tribos naqueles tempos. Os tapetes eram tingidos com cores vibrantes para compensar a monotonia cromática da região, e serviam, como já dito, muito mais como protetores nas noites frias do que figuras de decoração.

Tapete Persa, de bem necessário à objeto de luxo

Tapete Persa, de bem necessário à objeto de luxo

Com o passar dos anos, os tapetes persas tornaram-se um meio de expressão artística, onde os segredos de sua tecelagem têm passado de geração em geração.

O descobrimento do mais antigo tapete de que se tem notícia, com aproximadamente 2500 anos, encontrado na Sibéria no meio de uma geleira durante uma escavação arqueológica em 1949, reforça a tradição da fabricação destes tapetes, onde com estudos verificou-se que já naquele tempo se utilizavam os mesmos processos de confecção que perduram até hoje. Pelo seu bom estado de conservação após tanto tempo de existência, este tapete é uma preciosidade.

O mais antigo tapete persa conhecido, com cerca de 2500 anos, encontrado em uma geleira na Sibéria

Pazyryk, o mais antigo tapete persa conhecido, com cerca de 2500 anos, encontrado em uma geleira na Sibéria

Detalhe do Pazyryk, tapete mais antigo do mundo

Detalhe do Pazyryk, tapete persa mais antigo do mundo

Deste modo, é fato que através dos nós tecidos nos tapetes pode-se estimar a origem e período de fabricação, embora a técnica seja praticamente a mesma nos dois últimos milênios. Este processo consiste no enfileiramento horizontal dos nós, os quais formam uma trama vertical. Depois de tecido, o tapete sofre uma tosa onde as pontas são eliminadas, formando, assim, a superfície do tapete.

O processo exige muita habilidade e criatividade. O instrumental é simples e um artesão comum pode fazer até 1000 nós por hora, trabalhando em ritmo febril. Isso pode parecer muito, mas um bom tapete tem mais de 50 ou 100 nós por cm², o que faz com que um tapete possa levar anos para ser fabricado.

A questão do tempo de fabricação é um fator importante, bem como as cores empregadas, os símbolos tecidos, os desenhos complexos representados e, principalmente, a regularidade, qualidade e quantidade de nós. Todos estes são fatores que atribuem aos tapetes persas grande parte de sua fama e alto custo.

Venda de tapetes no grande bazar de Teerã, no Irã (antiga Pérsia), em 2008

Venda de tapetes no grande bazar de Teerã, no Irã (antiga Pérsia), em 2008

Atualmente, as técnicas tradicionais de tecelagem estão bem vivas, apesar da maior parte da produção de tapetes ter-se mecanizado. Os tapetes tradicionais tecidos à mão são comprados no mundo todo e geralmente são muito mais caros que os confeccionados à máquina, por serem um produto artístico.

Esta arte milenar de confecção dos tapetes persas acabou dando origem, curiosamente, ao abstracionismo, movimento artístico que surgiu com o filósofo alemão Immanuel Kant (1712-1804), quando o mesmo começou a pensar em como os tapetes orientais, com desenhos formados por figuras sem significado, provocavam uma sensação tão agradável, e concluiu que a beleza da forma poderia ser conseguida sem ser figurativa.

Quadro "Composition VIII" de Wassily Kandinsky, um dos grandes expoentes da pintura abstrata

Quadro "Composition VIII" de Wassily Kandinsky, um dos grandes expoentes da pintura abstrata

Por consequência da situação econômica atual, o mercado, nos seus mais variados segmentos, busca através da inovação, saídas inteligentes que gerem um retorno rápido, a fim de manter o seu negócio ativo. No mercado de tapetes persas não é diferente. E o mais interessante é que muitos destes insights forçados” geram produtos fantásticos e originais, nunca antes explorados.

Este é o caso dos tapetes que complementam a linha de móveis Diesel por Moroso. Apesar de não fazerem parte da coleção, os tapetes foram utilizados como acessórios dos produtos, em produções fotográficas da campanha Diesel/Moroso, e ganharam certo destaque por sua autenticidade.

Parte da coleção Diesel/Moroso, que contrasta com os tapetes persas customizados

Parte da coleção Diesel/Moroso, que contrasta com os tapetes persas customizados

A descoberta ocorreu quando a equipe Diesel estava em Paris, e lá observaram e identificaram que a nova técnica de tingimento, lavagem e raspagem dos tapetes persas remetia aos conceitos e estilo dos jeans Diesel, e que poderiam contrastar com os lançamentos Diesel/Moroso.
Tapete persa 380x281 cm, customizado e usado como complemento da linha Diesel/Moroso

Tapete persa 380x281 cm, customizado e usado como complemento da linha Diesel/Moroso

Tapetes persas customizados, que complementaram a linha Diesel/Moroso

Tapete persa customizado, com dimensão de 313x225cm

A ousada fabricação destes tapetes é feita na Itália, pelo último filho de uma geração de judeus que chegaram a comercializar tapetes persas ainda na Pérsia. Com a estagnação do mercado neste último ano, este jovem ousou inovar, e transformou a produção tradicional da família em uma revolução no mercado em que atua.

Os seus tapetes persas passam por processos de descaracterização, onde são raspados, tingidos e lavados, garantindo variações, propositais, de cores e texturas. Ao rasparem a superfície dos tapetes persas, a espessura da lã diminui, fazendo com que haja maior ou menor absorção de tinta.

Tapetes persas customizados, que sofrem processos de raspagem, tingimento e lavagem

Tapete persa customizado, com 345x249 cm, que sofre processos de raspagem, tingimento e lavagem

Tapetes persas customizados, que sofrem processos de raspagem, tingimento e lavagem

Tapete persa customizado, com 212x323 cm, que sofre processos de raspagem, tingimento e lavagem

Esta não uniformidade confere ao produto final um aspecto casual, estonado, e, principalmente, customizado. Muitos destes tapetes são ainda costurados no estilo patchwork, onde vários pedaços de tapetes diversos compõem um único exemplar. O resultado é, surpreendentemente, lindo e atual.

Tapetes persas em estilo patchwork

Tapete persa em estilo patchwork, com 350x257 cm, utilizado como complemento da linha Diesel/Moroso

Tapetes persas em estilo patchwork

Tapete persa em estilo patchwork, com 275x366 cm, utilizado como complemento da linha Diesel/Moroso

Além de estarem em sintonia com a linguagem visual da própria Diesel, estes tapetes persas exclusivos, disponíveis na Brasita, mantém a mesma qualidade dos tapetes persas tradicionais, os quais duram por vários anos quando manuseados adequadamente.

2 Responses to “Tapetes persas: do tradicional ao revolucionário”

  1. saman bellouchi Says:

    achei fantastica esta producao , lembro uns 5 anos antes tive idea de fazer isatamente o mesmo, pois na eopoca a unica coisa que da linha oriental era vendido para os arquitetos mai contemporanios era tapetes antigos bem desgastados, pois os cores e as texturas combinavam com concreto e outros elementos comum usado por eles.

    sou da quarta geracao da familia persa que atuam no mercado mundial e hoje atuando na area do tapete contemporanio (criador de primeiro estudio de design para tapete no brasil), sintir a nececidade de informa que informacao sobre tapetes orienteais e tradicao persa nao esta tao completa, pois a tradicao da persia e uma historia longa e os persas fora cridores de mundo modernos e nao limitam apenas nos noades e tb os tapetes tem origens e historias diferentes,
    estou a desposico sobre qulquer dulvida
    saman@bellouchi.com.br

  2. Isabel Says:

    Excelente artigo sobre tapetes persa.

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